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Coisificados são eles! – Editorial da “Educação em Revista” 2ª Edição

Charge Chaplim

Coisificados são eles!

É público e notorio que a Educação deveria ser um direito social inalienável de todo o cidadão brasileiro, fluminense e carioca. E o Estado que deveria garanti-la, segundo a “Constituição Cidadã” de 1988, procura se desincumbir de sua função precípua.

Temos visto, sistematicamente, nos últimos anos a entrada de entidades privadas e organismos da sociedade civil ligados ao patronato, empresas e fundações respectivas que visam o lucro capitalista e não o bem estar social. Essa promiscuidade entre o Estado e o setor privado, que é estranha aos princípios norteadores do serviço público, de garantir os direitos sociais a todos os cidadãos, vem atender apenas a interesses daqueles que desejam tornar a educação e demais direitos sociais uma mercadoria que possa ser obtida e consumida por aqueles que tenham condições de comprá-la.

O servidor público se tornaria, dentro desta lógica meramente capitalista, um simples “prestador de serviço”, e os alunos os “clientes” a serem atendidos. As fundações, mantidas por empresas privadas em aliança com o poder público, não tem vergonha em revelar o caráter público-privado dessa realidade que assola o serviço público, pois vêm sob o manto de uma propalada eficiência e modernidade, de “ajuda e auxílio” à educação, procurando dizer que é missão e objetivo de todos a salvação da escola pública. Dessa forma, abrem-se brechas para a intromissão das forças do mercado em esferas do poder público que deveriam, por sua vez, garantir o acesso e a qualidade de uma escola pública a que todos os cidadãos brasileiros, fluminenses e cariocas que a sustentam têm direito.

Resultados como nas linhas de produção

O objetivo dos Planos de Metas – mais um projeto produzido em gabinetes de tecnoburocratas, importados de países onde o método foi fracassado e sem ligação com a realidade da escola pública – é culpar o servidor público para que se pavimente, com mais facilidade, o caminho para a privatização da educação.

Para tanto, busca-se difundir um estado agressivo de desconfiança em relação ao servidor público da educação. Professores e funcionários administrativos são alvo dessa política privatizante. Isto porque, que ninguém se engane: estabelecer metas de produtividade e eficiência pautados em critérios e metas a serem cumpridos pelos servidores, nas suas respectivas escolas, é estabelecer um ranqueamento das escolas que não contribui em nada para a melhora da qualidade do ensino nas escolas do Rio de Janeiro ou no Brasil.

Isso estabelece uma competitividade, que fere a isonomia, propõe a manutenção da política de gratificações e abonos, que desrespeita o cumprimento do nosso Plano de Carreira, além de não garantir uma política real de valorização do servidor da educação com reajustes salariais que reponham não só a inflação do período, mas que também estimulem os servidores na busca da sua especialização e aperfeiçoamento profissional constantes.

Querer exigir uma educação de qualidade e “resultados” como se buscam nas linhas de produção da  fábrica é trabalhar com coisificação do aluno e do profissional da escola.

Não oferecer condições para que os profissionais trabalhem adequadamente e motivados é de uma covardia ou má-fé que beira a desumanidade.

Coisificados são eles! A nós, vítimas de suas más intenções e ações resta a reação!

Editorial da “Educação em Revista” 2ª Edição –  Revista da Regional 7 do Sepe

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