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É preciso recuperar a avaliação para sua função diagnóstica no interior do processo educativo

IDEB não é parâmetro de qualidade

O sequestro da avaliação
30/12/2012 por Luiz Carlos de Freitas

A avaliação deveria ser apenas um processo diagnóstico. Entretanto, esta noção de avaliação diagnóstica foi sequestrada por economistas, estatísticos e políticos que a substituiram pela associação a altos impactos, ou seja, a recompensas ou punições, bem a gosto da psicologia comportamental dos anos 70.

É preciso recuperar o verdadeiro sentido da avaliação e lutar em todas as instâncias para retirar da avaliação a sua associação a recompensas e punições. Se no âmbito da sala de aula isso já é de certa forma aceito e possível, no campo da organização escolar ainda está muito distante.

Esta idéia de associar o resultado da avaliação a determinados impactos, na forma de recompensas ou punições, é frequentemente usada nos Estados Unidos. Diane Ravitch diz: “as crianças nas escolas públicas da América enfrentam penalidades por seu desempenho pobre nos testes. Ela pode não avançar para o grau seguinte ou pode perder a oportunidade de entrar em um bom “college”. Mas isso não ocorre só com o aluno. Graças ao programa Nenhuma Criança para Trás “se as pontuações dos testes padronizados de uma escola não aumentarem todo ano, a escola e seus professores também enfrentam consequências.” A escola pode ser privatizada como ocorreu com uma escola em Central Falls, R. I., onde 93 pessoas de seu quadro foram demitidas no final do ano escolar, sem avaliações individuais. Segundo Ravitch “nenhuma destas sanções tem demonstrado aumentar o desempenho dos estudantes. Mas os testes de alto impacto [ ] se tornaram o princípio organizativo da educação americana, em detrimento da aprendizagem de fato. E conclui: “já é tempo de nos livrarmos das punições que estão associadas aos testes”.

Alguns distritos e Estados introduziram bônus e pagamento por mérito para professores na expectativa de que as pontuações nos testes aumentassem. Mas incentivos e sanções produzem fraude e jogo com o sistema, e não melhor educação.

E conclui: “Isso não é boa educação. Os testes deveriam ser usados para informação e diagnóstico, não para punições ou sanções”.

Segundo Thomas Toch um estudo nacional de 2007 encontrou que, se é permitido escolher entre duas escolas equivalentes, 76% dos professores secundários e 81% dos professores da escola elementar preferem trabalhar mais em escolas onde os administradores apoiam fortemente os professores, do que em escolas que pagam significativamente salários mais altos.

É preciso recuperar a avaliação para sua função diagnóstica no interior do processo educativo.

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