Carta aberta da Escola Municipal Anita Garibaldi

CARTA ABERTA

             Os professores da Escola Municipal Anita Garibaldi, abaixo assinados, declaram sua reprovação à proposta da SME-RJ, divulgada pela direção desta U.E., com relação à transformação desta unidade escolar em escola exclusiva para o primeiro segmento do ensino fundamental.

Não encontramos a existência de uma argumentação pedagógica, com o mínimo de razoabilidade, que justifique tal ato.

Defendemos que a história desta escola, que é a história dos profissionais e dos alunos, seja respeitada. Decidir-se que um profissional, alguns com mais de duas décadas de trabalho na escola, por exemplo, deva sair da escola e abandonar todo um trabalho construído, consideramos condenável.

A história construída dos indivíduos, especialmente dos alunos, na Escola Municipal Anita Garibaldi é representada da melhor forma possível, através da história da nossa própria diretora, que é ex-aluna e tem, na entrada de seu gabinete, um cartaz informando a todos, com muito orgulho, deste fato.

Transferirmos aproximadamente quinhentos alunos para outro prédio, com uma realidade espacial, histórica e pedagógica diferentes da qual o corpo discente está habituado, consideramos que é ação temerária no que diz respeito à garantia de um correto processo ensino/aprendizagem, pois adaptação é processo fundamental na prática escolar para aqueles que se propõem a educar com qualidade.

Quanto às direções das U.E.`s, estas não serão mais representativas de suas respectivas comunidades escolares, tendo em vista que o processo eleitoral que as levou aos cargos ocupados, não foram processos de consulta aos “novos” corpos de docentes e discentes, tampouco de responsáveis que comporão as “novas” escolas.

Afirmamos também que as direções, coordenações pedagógicas e corpos docentes serão desconhecedores da realidade de pelo menos metade de seu novo público. Qualitativamente, o trabalho deixará a desejar, pois não há como educar plenamente, sem conhecimento das realidades das estruturas familiares dos alunos de uma escola. Quantitativamente também é preocupante, pois serão quinhentos novos alunos (e quinhentas novas famílias) em cada uma das unidades escolares.

Questionamos o porquê de não se criar o cargo de mais um coordenador pedagógico para as unidades, já que se deseja dar mais atenção aos segmentos distintos. Isto não seria mais razoável e simples, para construirmos um projeto de maior qualidade, uma vez que se defende a necessidade de tratamento especial para ambos os segmentos?

Admiramos a informação dada pela direção de nossa escola que, se a comunidade escolar reclamar sobre a proposta, o processo será gradual e, no final de dois ou três anos, dará na mesma. Ainda afirmou-se que se o professor aceitar a mudança, este terá prioridade num processo de remoção. Caso contrário, deverá entrar num processo de remoção posterior sem “benesses”.

Como formaremos alunos cidadãos se os próprios professores são coagidos quando reivindicam aquilo que consideram melhor para eles e para a comunidade escolar?

Um fato interessante é que a Escola Municipal Professora Lavínia Dória, que deveria, segundo proposta da SME, ter apenas turmas do segundo segmento, ter turmas do quarto e quinto anos, e a Escola Municipal Anita Garibaldi, que deveria ter apenas alunos do primeiro segmento, ter turmas de sexto ano para 2013.

Isto é no mínimo contraditório, e joga por terra toda possível argumentação pedagógica de se dividir os segmentos do ensino fundamental em unidades escolares diferentes.

Dessa forma, os professores que assinam esta carta, que defendem uma escola democrática, propõem que esta seja resultado das ponderações e propostas de toda a comunidade escolar. Assim, propomos a suspensão de tal proposta/ato.

 

Rio de Janeiro, 05 de setembro de 2013.

Um comentário em “Carta aberta da Escola Municipal Anita Garibaldi

  1. Para aumentar os problemas como uma escola ou um grupo de professores pode aceitar ter 5 (CINCO) tempos de aulas seguidos sem qualquer intervalo? Essa é a realidade atual da EM Lavínia Dória. Qual a explicação para tal absurdo? O pátio da escola não tem condição de receber o número elevado de alunos. Onde está a organização de nossa SME que não pensou nisto ao misturar os alunos dessa escola com os alunos da EM Anita Garibaldi? Isso é uma violência com a garganta, com a bexiga e com a paciência de qualquer um, alunos e professores.
    Ps. Não entendi a data do comentário acima – 05 de setembro de 2013????

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s